sábado, 2 de dezembro de 2006

raptos (abduções) alienígenas





Existe uma crença amplamente difundida, embora errônea, de que seres alienígenas viajam à Terra vindos de algum outro planeta, e que estariam fazendo experiências reprodutivas com alguns poucos escolhidos. A despeito da natureza inacreditável dessa idéia e da falta de provas dignas de crédito, desenvolveu-se um culto em torno da crença em visitas e abduções alienígenas.
Segundo a doutrina dessa seita, teriam caído alienígenas em Roswell, no Novo México, em 1947. O governo dos EUA teria recuperado a nave e seus ocupantes, e estaria se encontrando com alienígenas desde então num lugar conhecido como Área 51. O aumento nas visões de OVNIs se deveria ao crescimento da atividade alienígena na Terra. Os alienígenas estariam abduzindo pessoas em maior número, estariam deixando outros sinais de sua presença na forma dos assim chamados círculos em plantações, estariam envolvidos em mutilações no gado, e ocasionalmente forneceriam revelações como o Livro Urantia a profetas escolhidos. O respaldo para essas crenças a respeito de alienígenas e OVNIs consiste principalmente em especulação, fantasia, fraude e inferências injustificadas a partir de indícios e testemunhos. Fanáticos por OVNIs também estão convencidos de que existe uma conspiração do governo e da mídia de massas para acobertar as atividades alienígenas, tornando difícil para que eles provem que os alienígenas chegaram.
É muito provável que haja vida em algum lugar no universo, e que parte dessa vida seja muito inteligente. Há uma probabilidade matemática de que, entre os trilhões de estrelas nos bilhões de galáxias, existam milhões de planetas análogos em idade e com proximidade a uma estrela como a do nosso sol. As chances parecem muito boas de que a vida tenha evoluído em alguns desses planetas. É verdade que, até bem recentemente [janeiro de 1996], não tinha havido nenhuma prova observacional significativa nem mesmo de que existisse algum planeta fora do nosso sistema solar. Apesar disso, parece muito improvável que nossa parte do universo tenha surgido de uma forma completamente singular. Sendo assim, devem existir planetas, e luas, e asteróides, etc., em todas as galáxias e ao redor de muitas das estrelas nessas galáxias. Logo, parece alta a probabilidade de que haja vida inteligente em algum outro lugar do universo, embora seja possível que sejamos únicos.
Não devemos nos esquecer, no entanto, de que a estrela mais próxima (além do nosso sol) está tão distante da Terra que viajar entre as duas levaria mais tempo que toda uma vida humana. O fato de que nosso sol leve cerca de 200 milhões de anos para dar uma volta na Via Láctea, dá uma idéia da perspectiva que temos que ter das viagens interestelares. Estamos a 500 segundos-luz do sol. A próxima estrela em proximidade da Terra está a 4,3 anos-luz. Isso pode parecer próximo, mas na verdade é algo como 40 trilhões de km de distância. Mesmo viajando a 1,6 milhões de km/h, seriam precisos mais de 2.500 anos para se chegar lá. Para se fazer isso em cinqüenta anos, seria preciso viajar a mais de 1,6 bilhões de km/h por toda a viagem. A despeito da probabilidade de haver vida inteligente em outros planetas, qualquer sinal vindo de qualquer planeta no universo, enviado em qualquer direção, tem pouca probabilidade de estar na rota de outro planeta habitado. Seria tolice explorar o espaço em busca de vida inteligente sem saber exatamente onde procurar. Além disso, esperar por um sinal pode exigir uma espera mais longa do que qualquer forma de vida, em qualquer planeta, pudesse durar. Por fim, se nós realmente recebermos um sinal, as ondas que o transportaram foram emitidas centenas ou milhares de anos antes e, no momento em que rastrearmos sua fonte, o planeta que as emitiu pode não mais ser habitável ou mesmo existir.
Assim, embora seja provável que exista vida inteligente no universo, a viagem entre sistemas solares em busca dessa vida apresenta alguns sérios obstáculos. Os viajantes ficariam fora por um tempo muito longo. Precisaríamos mantê-los vivos por centenas ou milhares de anos. Precisaríamos de equipamentos que pudessem durar centenas ou milhares de anos, e ser reparados ou substituídos nas profundezas do espaço. Essas não são condições impossíveis, mas parecem ser barreiras suficientemente significativas para tornar a viagem espacial intergalática altamente improvável. A única coisa necessária para uma viagem como essa que não seria difícil de se obter seriam pessoas dispostas a viajar. Não seria difícil encontrar muitas pessoas que acreditam que poderiam ser adormecidas por umas poucas centenas ou milhares de anos e despertadas para procurar por vida em algum planeta estranho. Elas parecem até acreditar que poderiam então coletar informações para trazer de volta à Terra, onde desfilariam em carro aberto pelas ruas do que quer que tenha restado de Nova York.
abdução e estupro?
A despeito da improbabilidade da viagem interplanetária, ela não é impossível. Talvez existam que possam viajar a velocidades muito altas e que possuam tecnologia e matéria prima para construir naves capazes de viajar a uma velocidade próxima à da luz ou maior. Teriam esses seres vindo aqui para abduzir pessoas, estuprá-las e fazer experiências com elas? Têm havido vários relatos de abdução e violação sexual por criaturas pequenas e calvas, que possuem grandes crânios, queixos pequenos, grandes olhos oblíquos e orelhas pontudas ou ausentes. Como explicar a quantidade dessas histórias e sua semelhança? A explicação mais razoável para os relatos serem tão similares é que eles são baseados nos mesmos filmes, nas mesmas histórias, nos mesmos programas de televisão e nas mesmas histórias em quadrinhos.
A história de abdução alienígena que parece ter iniciado as crenças do culto da visita e experimentação alienígena é a de Barney e Betty Hill. Os Hill afirmam ter sido abduzidos por alienígenas em 19 de setembro de 1961. Barney afirma que os alienígenas colheram uma amostra do seu esperma. Betty afirma que lhe cravaram uma agulha no umbigo. Ela levou pessoas até um ponto de aterrissagem alienígena, mas só ela podia ver os seres e sua nave. Os Hill se recordaram da maior parte da sua história através da hipnose, poucos anos após a abdução. Barney Hill relatou que os alienígenas tinham "olhos envolventes," uma característica bem incomum. No entanto, doze dias antes, um episódio de "The Outer Limits" mostrava um alienígena exatamente assim (Kottemeyer). Segundo Robert Schaeffer, "podemos encontrar todos os elementos principais dos abduções por OVNI contemporâneos numa história em quadrinhos de aventuras de 1930, Buck Rogers in the 25th Century[Buck Rogers no século XXV]."
A história de Hill vem sendo repetida várias vezes. Existe um período de amnésia logo após o suposto contato. Há então geralmente uma sessão de hipnose, aconselhamento ou psicoterapia, durante a qual aparece a lembrança de ter sido abduzido e sofrido experiências. A única variação entre as histórias dos abduzidos é que alguns afirmam ter recebido implantes, e muitos afirmam ter cicatrizes e marcas colocadas em seus corpos pelos alienígenas. Todos descrevem os seres de maneira muito semelhante.
Whitley Strieber, que escreveu vários livros sobre seus supostos abduções, descobriu que tinha sido abduzido por alienígenas após psicoterapia e hipnose. Strieber afirma que viu alienígenas incendiarem seu telhado. Diz ter viajado a planetas distantes e voltado durante a noite. Quer que acreditemos que só ele e sua família podem ver os alienígenas e sua espaçonave, onde outros não vêem nada. Strieber acaba parecendo uma pessoa bastante perturbada, mas que realmente acredita que vê e está sendo molestada por alienígenas. Descreve seus sentimentos com precisão suficiente para fazer crer que ele estava num estado psicológico bem agitado antes de ser visitado pelos alienígenas. Uma pessoa nesse elevado estado de ansiedade estaria propensa à histeria e seria especialmente vulnerável a mudanças radicais nos padrões de comportamento ou crença. Quando Strieber estava tendo um ataque de ansiedade, consultou seu analista, Robert Klein, e Budd Hopkins, pesquisador de abduções alienígenas. Então, sob efeito da hipnose, Strieber começou a relembrar os horríveis seres e suas visitas.
Hopkins mostrou sua sinceridade e incompetência investigativa no programa da televisão pública Nova ("abduções Alienígenas," primeiro programa em 27 de fevereiro de 1996). A câmera acompanhou Hopkins sessão após sessão com um "paciente" muito agitado e altamente emotivo. Então, Nova acompanhou Hopkins à Flórida onde ele alegremente ajudou uma mãe visivelmente instável a incutir nas crianças a crença de que elas tinham sido abduzidas por alienígenas. Entre mais sessões com mais dos "pacientes" de Hopkins o telespectador o ouvia repetidamente fazer propaganda de seus livros e suas razões para não demonstrar nenhum ceticismo a respeito das afirmações bastante bizarras que extraía de seus "pacientes". Nova solicitou à Dra. Elizabeth Loftus que avaliasse o método de Hopkins para "aconselhamento" das crianças cuja mãe as estava incentivando a acreditar que tinham sido abduzidas por alienígenas. Com o pouco que Nova nos mostrou de Hopkins em ação, ficou aparente que ele encorajava a criação de lembranças, embora alegasse estar recuperando recordações reprimidas. A Dra. Loftus observou que Hopkins incentivou muito seus "pacientes" a recordar mais detalhes, assim como deu muitas recompensas verbais quando novos detalhes eram revelados. Ela caracterizou o procedimento como "arriscado", por não sabermos que efeito esse "aconselhamento" terá nas crianças. Parece que podemos seguramente prever um: elas crescerão pensando ter sido abduzidas por alienígenas. A crença estará tão entranhada na memória delas que será difícil fazê-las cogitar a possibilidade de que a "experiência" tenha sido plantada por sua mãe, e cultivada por fanáticos por alienígenas como Hopkins.
John Mack
Outro entusiasta dos alienígenas é o Dr. John Mack, psiquiatra de Harvard, que escreveu livros sobre seus pacientes que afirmam ter sido abduzidos. Muitos dos pacientes de Mack foram indicados a ele por Hopkins. O Dr. Mack afirma que seus pacientes psiquiátricos não estão mentalmente doentes (então por que ele os trata?) e que não consegue pensar em nenhuma outra explicação para suas histórias a não ser a de que sejam verdadeiras. No entanto, até que o bom doutor ou um de seus pacientes apresente provas físicas de que tenham ocorrido os abduções, parece mais razoável acreditar que ele e seus pacientes estejam iludidos ou que sejam fraudes. Naturalmente, o bom doutor pode se esconder por detrás da liberdade acadêmica e do privilégio da privacidade médico/paciente. Pode fazer todas as afirmações que quiser e recusar-se a comprovar qualquer delas com base em que fazer isso seria violar os direitos de seus pacientes. Pode então publicar suas histórias e desafiar qualquer um a tirar sua liberdade acadêmica. Ele está numa posição que qualquer vigarista invejaria: pode mentir sem ter medo de ser descoberto.
O Dr. Mack também apareceu em "abduções Alienígenas" do programa Nova. Afirmou que, fora isso, seus pacientes são pessoas normais, o que é um ponto discutível se eles forem qualquer coisa semelhante aos que apareceram no programa. Mack também afirmou que seus pacientes não têm nada a ganhar por fabricarem suas histórias incríveis. Por alguma razão, as pessoas inteligentes geralmente acham que só otários são enganados ou iludidos e que, se os motivos de uma pessoa merecerem crédito, seu testemunho merece crédito também. Embora seja verdadeiro que o ceticismo em relação ao testemunho de uma pessoa seja justificado se ela tiver algo a ganhar (como fama e fortuna), não é verdadeiro que se deva confiar em qualquer testemunho dado por alguém que não tenha nada a ganhar com isso. Um observador incompetente, bêbado ou drogado, equivocado ou iludido, não deve merecer confiança mesmo se ele for tão puro como foi outrora a primavera nas montanhas. O fato de que uma pessoa seja agradável e decente, e que não tenha nada a ganhar mentindo, não a torna imune a errar na interpretação de suas percepções.
Uma coisa que o Dr. Mack não observou é que seus pacientes recebem bastante atenção por serem vítimas de abduções. Além disso, não houve nenhuma menção ao que ele e Hopkins têm a ganhar em fama e vendas de livros por encorajarem seus clientes a apresentar mais detalhes de seus "abduções". Mack recebeu US$200.000 como adiantamento por seu primeiro livro sobre abduções alienígenas. Ele também lucra com a publicidade e solicitação de fundos para seu Centro para Psicologia e Mudança Social, e seu Programa para Pesquisa de Experiências Extraordinárias. O Dr. Mack, a propósito, se impressiona bastante com o fato de as histórias de seus pacientes serem muito semelhantes. Ele também acredita em auras e indicou acreditar que alguns dos problemas ginecológicos de sua esposa talvez se devam aos alienígenas. Harvard o mantém em seus quadros em nome da liberdade acadêmica.
Outro que contribui para a mitologia dos abduções alienígenas é Robert Bigelow, um rico homem de negócios de Las Vegas, que usa seu dinheiro para dar apoio à pesquisa do paranormal (veja verbete sobre Charles Tart) e que parcialmente financiou uma pesquisa do Roper sobre abduções alienígenas. A pesquisa não perguntou diretamente aos 5.947 entrevistados se eles tinham sido abduzidos por alienígenas. Em lugar disso, perguntou a eles se tinham sofrido alguma das seguintes experiências:
-- Acordar paralisado, com a sensação da presença de alguém ou alguma outra coisa no quarto.
-- Experimentar um período de tempo de uma hora ou mais no qual esteve aparentemente perdido, mas não pôde se lembrar por que, ou onde esteve.
-- Ver luzes ou globos de luz num quarto sem saber o que as estava causando, ou de onde elas vieram.
-- Encontrar cicatrizes surpreendentes no corpo, e nem você nem ninguém se lembrar como você as obteve ou onde as conseguiu.
-- Sentir que estava realmente voando pelo ar, embora não saiba por que ou como.
Dizer sim a 4 dos 5 "sintomas" foi considerado sinal de abdução alienígena. Um relatório de sessenta e duas páginas, com introdução de John Mack, foi enviado por correspondência a cerca de 100.000 psiquiatras, psicólogos e outros profissionais da saúde mental. A implicação era de que cerca de 4 milhões de norte-americanos ou cerca de 100.000.000 de terráqueos teriam sido abduzidos por alienígenas. Como Carl Sagan ironicamente comentou: "É mais surpreendente que os vizinhos não tenham notado." A escolha do momento para a correspondência foi impecável: pouco depois da mini-série da CBS-TV baseada em Intruders de Strieber.
Alguns dos que afirmam ter sido abduzidos por alienígenas são provavelmente fraudes, alguns estão muito estressados, e alguns estão provavelmente sofrendo de um grave distúrbio psiquiátrico, mas a maioria parece ser de pessoas bem normais, especialmente propensas a fantasias. Em sua maior parte não parecem ser fanáticos por dinheiro, usando suas experiências estranhas como uma chance de aparecer na televisão ou de terem filmes feitos a respeito de suas vidas. Em outras palavras, o testemunho é freqüentemente, senão na maioria das vezes, feito por pessoas razoavelmente normais sem motivos ocultos conhecidos. Se suas afirmações não fossem tão bizarras, seria indecente desconfiar de muitas delas. Os defensores da sensatez da crença nos abduções alienígenas apontam para o fato de que nem todas as histórias possam ser atribuídas a confabulação. No entanto, a hipnose e outros métodos de sugestão são freqüentemente usados para se ter acesso a lembranças de abdução. A hipnose é não só um método sem confiabilidade para se obter acesso a memórias precisas, como também um método que pode ser facilmente usado para se implantar lembranças. Além disso, sabe-se que pessoas que acreditam ter sido abduzidas por alienígenas são muito propensas à fantasia. Ser propenso à fantasia não é uma anormalidade, se isso for definido em termos de crença ou comportamento da minoria. A grande maioria dos seres humanos é propensa à fantasia, caso contrário não acreditariam em Deus, anjos, espíritos, imortalidade, demônios, PES, Pé Grande, etc. Uma pessoa pode funcionar "normalmente" de mil e uma maneiras e abrigar as crenças mais irracionais imagináveis, contanto que essas crenças irracionais sejam ilusões culturalmente aceitáveis. Emprega-se pouco esforço para tentar descobrir por que as pessoas acreditam nas histórias religiosas que acreditam, por exemplo, mas quando alguém tem uma visão que esteja fora da faixa aceitável de fenômenos ilusórios da cultura, parece haver uma necessidade de se "explicar" suas crenças.
ilusões culturais compartilhadas
Aqueles que afirmam ter sido abduzidos por alienígenas podem não estar nem loucos nem dizendo a verdade. Talvez seja melhor pensar a respeito deles como pessoas que compartilham uma ilusão cultural. Eles são semelhantes às pessoas que têm as experiências de quase-morte de atravessar um túnel escuro em direção a uma luz brilhante, ou que vêem Jesus chamando por elas. O fato de as experiências serem comuns de forma alguma prova que elas não sejam fantasias. Elas se devem provavelmente a estados cerebrais semelhantes durante a experiência de quase-morte, e semelhantes experiências de vida e expectativas sobre a morte. As alternativas não são de que ou eles sejam totalmente loucos ou que tenham realmente morrido, ido para outro mundo e retornado à vida. Há uma explicação naturalista em termos de estados cerebrais e crenças culturais em comum.
As pessoas abduzidas por alienígenas poderiam também ser vistas como semelhantes aos místicos. Ambos acreditam ter experimentado alguma coisa que foi negada ao restante de nós. A única prova de suas experiências é a sua crença em que aquilo aconteceu e o relato que elas dão do fato. Não há nenhuma outra prova. A comparação dos abduzidos com os místicos não é tão forçada como poderia parecer à primeira vista. Os relatos de experiências místicas se enquadram em duas categorias básicas: as de êxtase e as contemplativas. Cada tipo de misticismo tem seu histórico de casos e testemunhos. Como nas histórias dos abduzidos, as de cada um desses tipos são bastante semelhantes. Os místicos do primeiro grupo tendem a descrever suas experiências indescritíveis em termos claramente análogos aos do êxtase sexual. Sair da escuridão para a luz lembra a experiência do nascimento. Os místicos contemplativos descrevem suas experiências da paz e felicidade perfeitas de maneiras que lembram uma boa noite de sono. Nos estados mais avançados do misticismo, a experiência é claramente análoga à morte: um estado de total unidade, ou seja, nenhuma diversidade, nenhuma mudança, nenhum nada. Em resumo, o fato de que experiências místicas sejam descritas de maneira semelhante por místicos nascidos em países diferentes e em séculos diferentes não é prova da autenticidade de suas experiências. A semelhança é mais indicativa da uniformidade das experiências humanas. Toda cultura conhece o nascimento, o sexo e a morte.
Os abduzidos são parecidíssimos não só com os místicos, mas também com as freiras medievais que acreditavam ter sido seduzidas por demônios, com as mulheres da Grécia antiga que pensavam ter feito sexo com animais, e com mulheres que acreditavam ser bruxas. Os conselheiros e terapeutas das vítimas são como os sacerdotes do passado que não desafiavam as crenças enganosas, mas as encorajavam e alimentavam. Fazem tudo o que estiver ao seu alcance para estabelecer suas histórias como ortodoxas. É muito difícil encontrar uma vítima de abdução que não tenha sido fortemente influenciada em suas crenças pela leitura de histórias de alienígenas, ou livros como Communion ou Intruders de Strieber, ou por assistir a filmes de alienígenas. É ainda mais difícil encontrar uma vítima de abdução que não tenha tido sua ilusão fortemente encorajada por algum conselheiro como Hopkins ou um terapeuta como Mack. Diante de uma boa dose de incentivo de uma comunidade crédula, reforçada pelos altos sacerdotes da seita da abdução alienígena, não é muito difícil entender por que há tantas pessoas hoje em dia que acreditam ter sido abduzidas por alienígenas.
Além disso, se existirem seres inteligentes o bastante para viajar pelo universo atualmente, provavelmente haviam seres igualmente inteligentes que podiam fazer o mesmo nos tempos antigos ou medievais. As ilusões dos antigos e dos medievais não eram formuladas em termos de alienígenas e naves espaciais porque isso são criações do nosso século. Podemos rir da idéia de deuses tomando a forma de cisnes para seduzir belas mulheres, ou de demônios engravidando freiras porque essas idéias não combinam com nossos preconceitos e ilusões culturais. Os antigos e medievais provavelmente teriam rido de qualquer pessoa que afirmasse ter sido capturada por alienígenas de outro planeta para fins sexuais ou de cirurgias reprodutivas. A única razão pela qual alguém leve os abduzidos a sério hoje em dia é que as ilusões deles não conflitam grosseiramente com nossas crenças culturais de que as viagens espaciais intergaláticas sejam uma real possibilidade, e que seja altamente provável que o nosso não seja o único planeta habitado no universo. Em outras épocas, ninguém teria a capacidade de levar essas afirmações a sério.
Naturalmente, não podemos descartar a possibilidade de que o desejo de acreditar esteja em ação. Mesmo assim, é um pouco mais fácil entender por que alguém desejaria ter uma experiência mística do que compreender por que alguém iria querer ser abduzido por um alienígena. Mas a facilidade com que aceitamos que uma pessoa possa querer ter uma experiência mística tem relação com nosso preconceitos culturais favoráveis à crença em Deus e ao caráter desejável da união com ele. O desejo de transcender esta vida, mover-se para um plano superior, abandonar o corpo, ser escolhido por um ser supremo para alguma tarefa especial.... cada um desses pode ser observado no desejo de ser abduzido por alienígenas tão facilmente como o de se unir a Deus ou ter uma experiência fora-do-corpo (OBE).
É possível também que os abduzidos estejam descrevendo alucinações semelhantes devidas a estados cerebrais similares, como sugere Michael Persinger. Da mesma forma, os relatos de êxtase e contemplativos dos místicos podem ser semelhantes em virtude de estados cerebrais semelhantes, associados ao desligamento corporal e uma sensação de transcendência. Usando eletrodos para estimular partes específicas do cérebro, Persinger reproduziu as sensações de presença e outras experiências associadas às experiências de quase-morte (NDEs), OBEs, experiências místicas e de abdução por alienígenas. A linguagem e os símbolos de nascimento, sexo e morte podem não ser mais que analogias para estados cerebrais. Lembranças em comum de experiências não provam que estas não foram ilusões. A experiência que as vítimas pensam ter sido de abdução por alienígenas podem se dever a determinados estados cerebrais. Esses estados podem estar associados à paralisia do sono, ou outras formas de distúrbios do sono, inclusive leves ataques epilépticos. A paralisia do sono é uma condição que ocorre logo antes que a pessoa pegue no sono (o estado hipnagógico) ou logo antes que desperte totalmente (o estado hipnopômpico). A condição é caracterizada pela incapacidade de se mover ou falar. Ela é freqüentemente associada com uma sensação de haver algum tiopo de presença, uma sensação que muitas vezes causa medo, mas é também acompanhada por uma incapacidade de gritar. A paralisia pode durar apenas uns poucos segundos ou mais. A descrição dos sintomas da paralisia do sono são muito semelhantes à descrição que muitos dos abduzidos dão do que lembram ter experimentado. Alguns acreditam que a paralisia do sono seja responsável não só por várias ilusões de abduções alienígenas, mas também por outras ilusões envolvendo experiências paranormais ou sobrenaturais.
Existem, é claro, determinados distúrbios psiquiátricos que são caracterizados por ilusões. Muitas pessoas com esses distúrbios são tratadas com drogas que afetam a produção ou o funcionamento dos neurotransmissores. Os tratamentos são bastante bem sucedidos na eliminação das ilusões. Persinger tratou pelo menos uma pessoa com medicação anti-epiléptica que conseguiu fazê-la deixar de ter repetidas experiências do tipo descrito pelos abduzidos por alienígenas, e pelas que sofrem de paralisia do sono. Incontáveis esquizofrênicos e maníaco-depressivos, quando adequadamente medicados, deixam de ter ilusões sobre Deus, Satanás, o FBI, a CIA, e alienígenas.
Embora as histórias de abduções alienígenas não pareçam plausíveis, se existissem provas físicas mesmo o cético mais radical teria que tomar conhecimento. Infelizmente, as únicas provas físicas oferecidas são inconsistentes. Por exemplo, as chamadas "marcas no solo" supostamente feitas por OVNIs têm sido oferecidas como prova de que os alienígenas aterrissaram. Porém, quando os cientistas examinaram esses locais, descobriram que eles eram bastante comuns e que as "marcas" eram pouco mais que fungos e outros fenômenos naturais.
Muitos dos abduzidos apontam várias cicatrizes e "marcas de afundamento" em seus corpos como prova de abdução e experimentação. Essas marcas não são de forma alguma extraordinárias e poderiam ser explicadas por ferimentos e experiências comuns.
O tipo mais impressionante de prova física seriam os "implantes" que muitos abduzidos afirmam que os alienígenas teriam instalado em seu nariz ou em diversas outras partes de sua anatomia. Budd Hopkins afirma ter examinado um implante desse tipo e que possui MRIs (imagens de ressonância magnética) para provar numerosos casos de implantes. Quando a equipe de Nova criou uma oferta para que abduzidos deixassem cientistas analisarem e avaliarem qualquer suposto implante, não apareceu uma única pessoa disposta a ter seu assim chamado implante testado ou verificado. Assim, entre todas as provas de abdução, as físicas parecem ser as mais fracas.


Aqui neste vídeo podem ver um extraterrestre com muitas semelhanças humanas, ele proprio afirma ser um extraterrestre. :)

2 comentários:

atrakinas disse...

E tu pensas que vou ler isso tudo??!!

Anónimo disse...

meu, fala serio
vc naum tem nada pra fazer?
essa historia e muito comprida
me poupe,encurta um pouco!!!!!!!!!!!!!!!!!
hahaahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
kkkkkkkkkkk